Quote: "Be careful of charity and kindness, lest you do more harm with open hands than with a clenched fist." -Kreia
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    Multilingual Haiku

    setembro 14th, 2009

    Coisas que só o tédio faz…

    ——————————

    Ventōs audiō

    Et hibernus venit

    Tempus fugit

    ——–

    In the secret garden

    The autumn leaves fly

    I am too old now.

    ——–

    Pálida Maria

    Dorme ao vento

    E a vida foge

    ——–

    Himmel? Hölle?

    Die Grenze der Liebe

    Ist nicht Tod.


    O Presente Mais Fascinante da Minha Infância Não Foi Meu Nintendo

    julho 15th, 2009

    Uma vez o pai comprou um maquinário
    Parafernália de serralheria
    Lixadeiras de mesa, tico-ticos e rotatórias
    E uma máquina de lavar pra mãe
    Tudo isso encaixotado em papelão
    ― Eu tinha menos de metro e queria ser astronauta
    Aos seis anos, ganhei meu primeiro foguete

    (E último, porque nessa época o pai fez a arte e as estátuas do Museu de Ufologia; quando eu fiquei sozinho naquele saguão ganhei um trauma que só passaria depois da infância)

    Oliveira Rodrigues

    (Oliveira Rodrigues é um convidado do blog, presenteando-nos aqui com seu poema, “O Presente Mais Fascinante da Minha Infância Não Foi Meu Nintendo”)


    Leitura e hyperlinks

    junho 9th, 2009

    Ultimamente tive uma discussão com um dos moradores deste alojamento sobre a tradução de “Deuses Americanos”, de Neil Gaiman, por ela manter pedaços consideráveis na língua original. Elementos como o nome de um personagem (”Wednesday”, que poderia se chamar “Quarta-feira”) e os nomes das Zoryas em russo (Utrennyaya, Vechernyaya e Polunochnaya) permanecem sem tradução ou nota, como parte integrante do texto.

    Como bons curiosos que somos, pesquisamos todos os nomes, para tentar entender todas as referências à diversas mitologias do mundo, desde Anansi (da África Equatorial) até Kali (da Índia). Como o livro é recentemente novo, suponho que Gaiman acredite que cada um de seus leitores tem a capacidade (e espero também tenha a disposição) de pesquisar e compreender ao máximo possível cada citação, e parece que os tradutores partilham dessa idéia, acrescentando notas com a tradução apenas nas citações mais longas à músicas ou outros textos, enquanto mantêm o original no corpo.

    Uma das vantagens mais imediatas é a possibilidade dos leitores terem acesso direto ao texto original: por mais que tentem evitar, uma tradução sempre perde parte da riqueza natural de cada idioma, ainda mais no caso de poesias ou músicas, onde a métrica e a rima são importantes.

    Embora a obra de Gaiman já possua um caráter fortemente referencial, até onde isso é uma tendência da literatura do século XXI? Com as novas ferramentas de agregação e apresentação de dados (principalmente pela Web), a idéia de poder escrever “plus ça change, plus c’est la même chose” sem se preocupar com o conhecimento de francês do leitor torna-se perfeitamente razoável. Em menos de dois minutos ele pode descobrir o significado de uma citação extremamente popular e continuar a leitura do texto. Com alguns meios ele sequer precisa sair desta página para descobrir. E assim segue a evolução dessa nova mídia virtual…


    Haiku

    maio 28th, 2009

    Em homenagem aos velhos tempos (e para testar o WLW).

    Sonhos vão

    Cansados e vazios

    Pra noite


    Dia da Vitória – «День Победы»

    maio 9th, 2009

    Hoje é Nove de Maio, o famoso Dia da Vitória (para os países do antigo bloco oriental ao menos), a data em que a Alemanha se rendeu durante a Segunda Guerra Mundial (Grande Guerra Patriótica, para os russos).
    Estou saindo às ruas para cobrir este dia único, em breve fotos e relatos!


    Uma breve história

    maio 7th, 2009

    Saudações a todos os leitores,

    Eu sou o Humanista. Estou temporariamente hospedado aqui dentro do Far Beyond Sanity até meu próprio ambiente estar finalizado, o que deve acontecer nesta semana, se o Jake Dust estiver certo.

    Começo aqui o meu trabalho de desenvolver idéias e posições com base na experiência e na reflexão da condição humana, com o foco sempre na capacidade humana de se desenvolver com base no conhecimento que ele pode adquirir ou criar durante sua vida. O objetivo é se relacionar com a natureza humana e discorrer livremente, sem afiliações ideológicas, sobre todos os aspectos que dependam dela, ou seja, a vida toda.

    Com a especialização decorrente do desenvolvimento contemporâneo das ciências, torna-se cada vez mais rara a existência de pessoas com conhecimentos gerais, capazes de dissertar sobre matemática e filosofia igualmente bem (Leibniz?), por exemplo. Nesta época de generalização e até ‘hegemonia cultural’, o incentivo a seguir pelas ciências clássicas é cada vez menor, o que impacta diretamente no número de formados nas ‘antigas artes’ e na teoria, no número de pessoas que tentam abordar o mundo de uma maneira que não exclusivamente a prática.

    O Humanista surge em oposição a estes movimentos, mas com uma forte distinção: graças à inexistência dos dogmas, não há limites sobre a reflexão e a discussão, assim como não há motivos para gerar uma permanência e estática. As idéias evoluem juntamente com seu defensor durante o debate, e portanto, que comece a Grande Discussão!


    Pequenas mudanças estilísticas

    maio 7th, 2009

    Embora não seja algo visível, a cada dia o blog sofre alguns ajustes e correções, seja em seu código, seja em sua apresentação.

    Uma das mudanças mais novas é a migração parcial do blog para XHTML 1.1, o que nos permite introduzir Ruby (não, não a linguagem de programação Ruby, e sim o sistema de marcação), um sistema originalmente desenvolvido para o suporte de línguas orientais. A palavra Ruby originalmente designava uma fonte menor utilizada em documentos no Reino Unido, para fazer comentários entre as linhas. Em chinês e japonês Ruby é utilizado tanto para indicar a pronúncia como para auxiliar os leitores não acostumados com a língua, oferecendo uma ajuda de leitura em certos caracteres.

    O objetivo da transição foi o teste de Ruby dentro deste blog, como forma de auxílio de leitura e criação de comentários do próprio autor dentro dos artigos. Enquanto esta abordagem parece interessante, ela é pouco suportada pelos navegadores atuais, o que me leva a fazer um apelo aos leitores que utilizam Firefox: Instalem alguma das várias extensões que permitem a correta visualização de caracteres Ruby. Atualmente utilizo esta aqui, e espero que facilite a vida de vocês enquanto não encontro uma solução mais prática para escrever textos comentados.

    A idéia de usar comentários surgiu de dois pontos distintos:

    1. enquanto lia sobre a Torá e todo o sistema de niqqud criado nos textos masoréticos para facilitar sua leitura; usando niqqud era possível marcar o som das palavras, já que em hebreu as vogais não são escritas. Também existiam diversas anotações nas bordas das páginas, discutindo ou comentando o texto principal;
    2. durante meu breve estudo de Lojban, senti a necessidade em vários pontos de um sistema melhor para comentar o que estava escrevendo ou simplesmente permitir utilizar esta linda linguagem entre outras. Estudando os modos ortográficos alternativos da linguagem, descobri que poderia ser interessante dominá-los para facilitar meu estudo de outras disciplinas.(Embora na verdade eu não tenha os aprendido ainda).

    Com essas duas inspirações, comecei a comentar alguns livros e textos que leio, utilizando um lápis bem apontado, o espaço entre as linhas e as margens. Como sinto que este costume é interessante, vou começar a adotá-lo aqui, conforme for possível. Para os sem suporte, os comentários serão apresentados em parênteses após o texto, o que também permite uma boa leitura. Como o suporte a Ruby faz parte tanto do XHTML 1.1 como do HTML5, creio que no futuro se tornará algo mais comum e aceito pelos navegadores, tornando a leitura deste blog ainda mais agradável.


    Pequenas apostasias

    maio 6th, 2009

    Bem, enfim temos um domínio próprio. Esse foi desde sempre um objetivo dos autores do blog, inclusive tendo sido um dos tópicos da malfadada reunião que levou à primeira morte deste.

    Então, nada melhor que um post para inaugurar a nova residência. Porém, como já é bem tarde e tenho um emocionante laboratório de história amanhã de manhã, esse não será uma continuação de alguma de minhas séries que nunca terminam; sequer será um texto com o rigor acadêmico usual.

    Desde que comecei a escrever no Far Beyond Sanity, muitas de minhas visões mudaram. Enquanto inicialmente eu era um jovem pré-iteano com certas simpatias pelo comunismo, hoje sou um aluno de História com um pouco mais de conhecimento e uma visão política bem mais cínica (mas não necessariamente menos frustrado). No processo, vários de meus antigos posicionamentos se alteraram.

    Até muito recentemente, tinha uma visão extremamente cínica do pós-modernismo. Trabalhos como o de Henry Sokal mostraram o ridículo de querer usar tal metodologia de análise para explicar tudo. Porém, após a leitura de autores como Keith Jenkins, cheguei à conclusão de que a visão pós-moderna pode, sim, ser útil, desde que empregada no âmbito das Ciências Humanas e Sociais, ao permitir um estudo das relações de poder e dominação.

    De forma semelhante, minha concepção sobre as Operações Baseadas em Efeitos, assunto abordado em um post de meu blog pessoal, sofreu algumas mudanças. Embora o conceito das EBO tenha um forte atrativo na promessa de neutralizar o oponente com um mínimo de perdas humanas e materiais, o dispêndio de tempo e esforços são fatores que pesam muito e levam tal modelo a ser inviável fora do contexto que a gerou – o planejamento de campanhas aéreas.

    Já minha posição religiosa, exposta num post anterior, transformou-se um pouco. Enquanto antes me declarava um cristão não-denominacional com um código moral peculiar, agora tenho um posicionamento que oscila entre o agnosticismo e uma visão mais iluminista de Deus, à semelhança daquela de Paine.

    Se minha crença religiosa sofreu tal transformação, a minha fé em adaptações e refilmagens cinematográficas foi irremediavelmente destroçada. Filmes como o último Wolverine, Dragonball: Evolution e a nova versão de O Dia em que a Terra Parou são verdadeiros atentados contra a minha infância (diabos, como alguém consegue estragar o Deadpool?). Ainda bem que não decidiram refilmar Dirty Harry.

    Diminuí um pouco meu pedantismo gramatical. Preocupo-me menos com os erros (salvo quando absolutamente necessário) e até apelo para algumas formas mais coloquiais por preguiça ou para efeitos humorísticos. Porém, minha paciência com gente incompetente caiu muito.

    Talvez seja a minha arrogância tentando compensar a queda do aumento de conhecimentos, talvez sejam as expectativas elevadas que adquiri no verdadeiro dream team que era a ITA 1 do Poliedro (local em que eu estava mais por acaso que por competência, mas isso não vem ao caso). O fato é que ver meus “coleguinhas” de curso que mal sabem ler um texto, quem dirá fazer uma análise crítica, tem sido um de meus fardos ultimamente.

    Bem, enfim, há uma série de coisas sobre as quais poderia expor minha mudança de opinião. Porém, creio que essas foram as principais. Agora, retornaremos à programação habitual.


    A little collage

    abril 26th, 2009

    For two different people, by two different reasons.

    ——————————————-

    April is the cruellest mont, breeding
    Lilacs out of the dead land, mixing
    Memory and desire, stirring
    Dull roots with spring rain

    She loves me…she loves me not.
    I tear my hands, scatter the broken fingers…loves me not
    As we scatter the random riddling heads of daisies
    Tumbling through summer.

    Tread lightly, she is near
    Under the snow.
    Speak gently, she can hear
    The daisies grow

    This is the dead land
    This is cactus land
    Here the stone images
    Are raised, here they receive
    The supplication of a dead man’s hand
    Under the twinkle of a fading star

    Rayless, and pathless, and the icy Earth
    Swung blindly and blackening in the moonless air;
    Morn came and went — and came, and brought no day,
    And men forgot their passions in the dread
    Of this desolation; and all hearts
    Were chill’d into a selfish prayer for light

    Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing
    Doubting, dreaming dreams no mortal dared to dream before.
    But the silence was unbroken, and the darkness gave no token
    And the only word there spoken was the whispered word, “Lenore!”
    This I whispered, and an echo murmured back the word, “Lenore!”
    Merely this and nothing more.


    SIGINT e COMSEC – Protegendo as comunicações

    março 14th, 2009

    SIGINT, abreviatura de signals intelligence, é o termo inglês usado para descrever a atividade de coleta de informações ou inteligência através da interceptação de sinais de comunicações entre pessoas ou máquinas. [Wikipédia]

    Seguindo os moldes do artigo sobre OSINT, uma pequena introdução sobre outra modalidade de inteligência, a SIGINT. Para os que não conhecem o conceito de inteligência, é recomendada a leitura do artigo citado acima.

    Um pequeno histórico

    Talvez um dos exemplos mais famosos de SIGINT seja o Projeto Venona, mesmo tendo sido um segredo completo. Antes de sua exposição no livro Spycatcher, do ex-oficial de inteligência britânico Peter Wright, sua existência era conhecida apenas por um grupo extremamente minoritário, sendo que nem que o presidente americano Harry Truman (1945–1953) sabia diretamente o que estava acontecendo. Sua importância não foi pequena: Foi ele que possibilitou a descoberta de um dos membos do grupo Cambridge Five[1], Donald Maclean.

    Um outro caso menos conhecido ocorreu durante a Guerra das Falklands/Malvinas, com os esforços conjuntos britânicos e americanos. Segundo o diário de um oficial britânico no submarino nuclear HMS Conqueror, a interceptação das comunicações argentinas foi “impressionante, de fato e sem ela nós nunca poderíamos ter feito o que fizemos. Nós conseguimos interceptar boa parte, se não foram todas as transmissões do inimigo.” Segundo Ed Ketter, o valor dessas interceptações era tão alto que compensava mais não bombardear o quartel-general argentino para não perder essa fonte.

    COMSEC

    COMSEC, ou communications security (segurança de comunicações) são as medidas tomadas para garantir a autenticidade das comunicações e evitar que elas sejam disponibilizadas para pessoas não-autorizadas. É visível a necessidade de COMSEC não só em meios militares, como também nas relações interpessoais, como mostra o princípio constitucional da inviolabilidade do sigilo postal, embora com salvaguardas para proteger o Estado:

    XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; [Constituição da República Federativa do Brasil]

    O desenvolvimento da idéia de COMSEC começou realmente a partir da Segunda Guerra Mundial, quando foi descoberto em um laboratório da companhia americana Bell, quando um pesquisador notou que cada vez que a máquina de teletipo (um equipamento parecido com uma máquina de escrever, mas com funcionamento eletroeletrônico) era usada, apareciam interferências em um osciloscópio distante. O real problema era o fato de que esta máquina era utilizada para criptografar mensagens, e somente com estas interferências era possível interceptar todo o texto da mensagem sem criptografia.

    A partir desta data, uma séria pesquisa para descobrir os motivos desta interceptação e como seria possível bloqueá-la. Em cerca de seis meses, a Bell determinou três principais precauções:

    1. Blindagem eletromagnética, para evitar irradiações;
    2. Filtragem de sinais transmitidos;
    3. Mascarar os sinais.

    Porém, as medidas necessárias para proteção praticamente inviabilizavam o uso dos teletipos em campo, o que levou a medidas mais diretas, como controlar e vigiar a zona a cerca de 30 metros dos aparelhos.

    Após a guerra, boa parte dessa pesquisa foi abandonada e perdida, só voltando na década de 50, dessa vez sob as rédeas da NSA (National Security Agency, Agência de Segurança Nacional), agência americana especialista em SIGINT.

    Hoje em dia, COMSEC é uma preocupação exclusivamente militar, mesmo tendo profundas implicações na vida privada. Segundo Martin Vuagnoux e Sylvain Pasini, dois pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne, é possível capturar todos os dados digitados em teclados normais de computador com equipamento específico. Um maior desenvolvimento e redução de custos nesta área traz consequências fortíssimas, como a possibilidade de capturar senhas em caixas eletrônicos. Desconsiderar estes fatores hoje em dia é simplesmente negar toda a idéia de segurança e privacidade.

    [1]Cambridge Five foi um grupo de espiões soviéticos no Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial e o início da década de 50.

    Bibliografia e referências:
    Markus G. Kuhn e Ross J. Anderson: Soft Tempest: Hidden Data Transmission Using Electromagnetic Emanations
    NSA: A History of U.S. Communications Security (Volumes I and II); the David G. Boak Lectures, National Security Agency, 1973
    NSA: TEMPEST: A Signal Problem